José Froilán Gonzalez 1923 - 2013

José Froilán Gonzalez, na altura conhecido pelo cognome "o touro das pampas", surge na imagem com a taça de vencedor do Grande Prémio de Portugal de 1954, prova que venceu no circuito de Monsanto ao volante de um Ferrari 750 Monza. Faleceu hoje, 16 de Junho, aos 90 anos de idade.
Froilán Gonzalez conquistou a primeira vitória da Ferrari em Fórmula 1. Aconteceu no Grande Prémio de Inglaterra de 1951, disputado no circuito de Silverstone, local onde voltou em 2011 para celebrar o 60º aniversário desse acontecimento.
Homenagem dos seus muitos admiradores portugueses. RIP

Foto - Centro de Documentação do ACP


Volta de Honra

D. Fernando Mascarenhas e Stirling Moss, vencedores respectivamente da Taça Cidade de Lisboa e da Taça Governador Civil de Lisboa, provas incluídas no Grande Prémio de Lisboa de 1955, dão a volta de honra ao circuito no Plymouth da organização. Mascarenhas venceu a sua corrida ao volante de um Mercedes Benz 300 SL e Stirling Moss conquistou uma das suas raríssimas vitórias em Porsche, um 550 Spyder neste caso. Na corrida principal o vencedor seria Masten Gregory, em Ferrari 750 Monza.



Um Ferrari na Penha

Joaquim Filipe Nogueira em plena disputa da Rampa da Penha de 1955, prova disputada a 27 de Março e que viria a vencer ao volante do Ferrari 250MM chassis #0332 MM. Anteriormente este mesmo carro pertencera a José Arroyo Nogueira Pinto.

Foto - Centro de Documentação do ACP
Colaboração de Ângelo Pinto da Fonseca



Grande Prémio da Curia 1927

Em Julho de 1927 disputaram-se o Grande Prémio da Curia e o Grande Prémio de Turismo da Curia, provas organizadas pelo ACP e apoiadas pelo jornal "O Século". A primeira constava de um percurso de 150 km, ficando-se a segunda por uns mais modestos 105 km de extensão. Compareceram 14 concorrentes, a maioria vindos do sul do país, sendo que apenas um participou no Grande Prémio da Curia (Alfredo Marinho Júnior, depois secundado por Moniz Pereira, um dos membros do júri). Na corrida do Grande Prémio de Turismo da Curia participaram António Guedes de Herédia, Frederico Fontalva, Abílio Nunes dos Santos, D. António Herédia, Eduardo Ferreirinha, João Eugénio Palma de Azevedo, Mário Ferreira, Fernando Palhinhas, Sanches de Castro, António Burnay, Tude Magão e Rogério Marques. O vencedor seria Eduardo Ferreirinha. O concorrente Mário Ferreira foi desclassificado por se ter despistado e percorrido mais 600 metros que o previsto.

Foto- Biblioteca de Arte Calouste Gulbenkian
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto


Volta a Portugal 1927

Mais do que uma prova automobilística, a Volta a Portugal de 1927 constituiu um grande desafio que uma única equipa decidiu enfrentar. Através de um Portugal rural e subdesenvolvido, sem estradas dignas desse nome, Carlos Moniz Pereira, na altura director do ACP, formou a sua equipa e dispôs-se a percorrer o país de "lés-a-lés", facto que constituiria um primeiro "record" nacional.
O carro escolhido foi o FN de 10 HP, no qual se fez acompanhar por Artur Mimoso, pelo fotógrafo David Benoliel e por Filipe Vilhena, este na condição de "controlador" do ACP. Com o apoio dos jornais "O Século" e "Primeiro de Janeiro", os intrépidos automobilista partiram de Cacilhas a 17 de Julho de 1927 e logo ao fim do primeiro dia de viagem tiveram uma paragem forçada de quatro horas em Odeceixe à espera que as águas baixassem para poderem prosseguir rumo ao Algarve.
Filipe Vilhena adoeceu pouco depois e regressou a casa, pelo que apenas Moniz Pereira, Artur Mimoso e Benoliel se apresentaram à chegada aos Restauradores na madrugada do dia 23, ao fim de 94 horas e 40 minutos de intensa aventura, sem que o valoroso "FN" sofresse qualquer avaria. A equipa apenas teve que lidar com os inevitáveis "furos" provocados pelo péssimo estado das estradas nos frágeis pneus de então.
António Félix da Costa, Pedro Bordalo Pinheiro, Ferreira de Castro e Joshua Benoliel estavam entre a distinta comissão de boas vindas que se apresentou na Praça dos Restauradores para receber os "Heróis" que tinham pela primeira vez atravessado Portugal em automóvel. Um verdadeiro prodígio em 1927.
Fotografia - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto


Percalços na Boavista

Em 24 de Agosto de 1958 disputou-se no circuito da Boavista, no Porto, o I Grande Prémio de Portugal em Fórmula 1, prova que viria a ser dominada por Stirling Moss. Foi uma corrida fértil em acidentes, tal como aqui se constata através das imagens do Lotus-Climax de Graham Hill, que apenas completou 25 das 50 voltas previstas, e do Maserati 250F de Maria Teresa de Fillipis, que abandonou ao fim de seis voltas. Esta italiana foi a primeira mulher a disputar uma corrida de Fórmula 1, tendo participado em vários Grandes Prémios durante a temporada de 1958, sem resultados de relevo. No Porto, por exemplo, qualificou-se na última posição da grelha de partida com um tempo 15 segundos superior ao penúltimo qualificado. O carro tinha graves problemas de motor, como se confirmou durante a corrida em que durou apenas seis voltas.

Fotografias - www.circuitodaboavista.com



Porsche 550-038

D. Fernando Mascarenhas apresentou-se  no Circuito de Monsanto de 1955 ao volante deste Porsche 550 Spyder, com o qual viria a obter o terceiro lugar na corrida de 24 de Julho que foi dominada por Stirling Moss, num carro idêntico. Este carro, com o chassis #550-038 e o motor P90031, foi importado originalmente por Adolfo Stock para D. Fernando Mascarenhas, tendo posteriormente passado por vários proprietários no nosso país. Rumores não confirmados sugerem que o CB-22-21 poderá estar ainda em Portugal. Estará?


II Circuito da Boavista

Mário Gonçalves, na foto ao volante do seu Austin, foi um dos participantes do II Circuito do Porto na categoria "Sport", tendo terminado a corrida em terceiro lugar com uma média de 88, 904 km/h. Vasco Sameiro foi o vencedor, em Invicta, com Gaspar Sameiro (Plymouth) em segundo lugar.
Note-se a orientação "aerodinâmica" dos faróis do Austin.
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto.
Foto - Centro de Documentação do ACP.


Grande Prémio da Curia 1927

Em 30 de Julho de 1927 disputou-se o Grande Prémio da Curia, nome algo pomposo para uma prova organizada pelo Automóvel Club de Portugal que contava apenas com uma inscrição, o Bugatti de Alfredo Marinho Júnior (na foto). Para compor as coisas foi pedido a Carlos Moniz Pereira que deixasse as funções de membro do júri e alinhasse na corrida com o seu FN. Alfredo Marinho Júnior demorou 2 horas, 15 minutos e 50 segundos para percorrer os 150 quilómetros que compunham a prova traçada num circuito que passava por Mealhada, Luso e Anadia, com partida e chegada na Curia. Carlos Moniz Pereira chegou 13 minutos depois.

Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Calixto
Fotografia - Centro de Documentação do ACP




O Stand da Ford em Lisboa

Concebidas por um dos mais importantes arquitectos portugueses do século XX, Porfírio Pardal Monteiro, as instalações da Ford Lusitana na rua Rosa Araújo tornaram-se na década de 40 num local de visita obrigatória para quem se interessava por automóveis … e por arquitectura.
Entre muitas outras obras, Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957) é também o autor dos projectos do Instituto Superior Técnico, da estação ferroviária do Cais do Sodré, do Hotel Ritz e da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, tendo conquistado por quatro vezes o Prémio Valmor.

Fotografias - Bibliteca de Arte Fundação Calouste Gulbenkian, Estúdios Mário Novais



Uma Luta Desigual

D. Fernando Mascarenhas recebe a bandeirada da vitória no circuito de Monsanto, a qual lhe assegura a conquista da Taça Cidade de Lisboa de 1954, corrida que dominou ao volante do seu imponente Jaguar XK 120. Em segundo lugar chegaria Joaquim Filipe Nogueira, que tripulava um dos pequenos mas  rápidos Porsche 356.
O motor 3.4 do Jaguar XK 120 dispunha de mais do dobro da potência dos pequenos Porsche 1500, mas a leveza, aerodinâmica e agilidade destes tornavam-nos seriamente competitivos num circuito relativamente sinuoso como era o caso de Monsanto. Porém, no ano seguinte esta correlação de forças seria alterada com a chegada da versão Carrera dos Porsche 356, um verdadeiro carro de corrida capaz de se bater de igual para igual com máquinas muito mais potentes.


Coragem em Vila Real

O circuito de Vila Real, ao que se dizia, era para homens de "barba rija". Andava-se por vezes muito depressa e as condições de segurança eram frequentemente inexistentes. Em consequência, a probabilidade de ocorrência de um acidente grave era relativamente grande.
Veja-se este exemplo: nesta imagem obtida durante o Circuito de 1951 vemos o Conde de Monte Real, à frente, no seu Ferrari 166 Spider Corsa, seguido de Casimiro de Oliveira, em Ferrari 340 America Vignale Coupé, e de Giovanni Braco, o futuro vencedor, em Ferrari 212 Export Vignale Barchetta. De um dos lados do asfalto está o muro branco, do outro está um pedaço de "empedrado" de onde "nascem" várias árvores de bom porte sem qualquer protecção. O mais pequeno descuido poderia levar à destruição do carro e à morte do piloto, como tantas vezes aconteceu. Mas não em Vila Real.
Foto - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia - "Circuito de Vila Real 1931-1973", de Carlos Guerra


Acidente Fatal

Apesar da sua fraca qualidade, não resisto a divulgar uma das poucas imagens conhecidas que documentam as consequências  do terrível acidente que vitimou António Borges Barreto e Piero Carini ocorrido quando ambos disputavam as 6 Horas de Forez, prova que se realizou a 30 de Maio de 1957 em St Etienne, França. 
Borges Barreto tripulava o Ferrari 500 TRC Scaglietti #0694 MDTR com o número 58, enquanto que Carini tinha a seu cargo o Ferrari 500 TR Scaglietti Spider "0648 MDTR com o número 54, o qual é bem visível na fotografia.

Bibliografia - jornal "Democracia do Sul", 6 de Junho de 1957 e FerrariChat.com.
- "Diário do Sul", Motor
Com agradecimentos a José Borges
                    



Monsanto 1954

Em 25 de Julho de 1954 disputou-se no Circuito de Monsanto o IV Grande Prémio de Portugal. Vasco Sameiro, Casimiro de Oliveira, D. Fernando Mascarenhas e José Arroyo Nogueira Pinto, todos em automóveis Ferrari, eram os pilotos portugueses presentes. Nogueira Pinto tripulava o Ferrari 250MM #0332 (na foto) mas apenas completou 15 das 60 voltas da prova, deixando para D. Fernando Mascarenhas a honra de ser o único piloto português a terminar a corrida.

Fotografia - Centro de Documentação do ACP


Uma pena...

Eis o estado em que ficou o Edfor tão carinhosamente construído por Eduardo Ferreirinha depois do acidente que sofreu durante o Rallye Internacional de Lisboa de 1947, quando era tripulado por Augusto Madureira. O carro foi dado como irrecuperável e não voltaria aos circuitos. Apenas a matrícula voltou, como se constata através do post "Edfor-Allard" recentemente aqui publicado.

Colaboração de José Francisco Correia




II Circuito da Boavista


Em Julho de 1932 disputou-se o II Circuito da Boavista, prova que consistia em duas corridas de 90 minutos cada, uma para a categoria "Sport" e outra para "Corrida", com um total de vinte e um concorrentes. 
Na corrida de "Sport" participaram:
- Gaspar Sameiro (Plymouth), Mário Gonçalves (Austin), Vasco Sameiro (Invicta), Angel Beauvalet (Opel), Mário Ferreira (Chrysler), José Lopes da Silva (De Soto), Manuel Pinto de Freitas (Opel), Manuel Ribas (Austin), Artur Barbosa (Plymouth), D. Palmira Coelho (Opel), Armando Ferreira (Opel) e Manuel Nunes dos Santos (Ford)
Dada a partida o Invicta de Vasco Sameiro tomou a dianteira, sendo acompanhado durante a primeira volta por Mário Ferreira, Gaspar Sameiro e Artur Barbosa. Este último abandonou logo na segunda volta por ter perdido … o depósito de gasolina! À 23ª volta foi a vez do Austin de Manuel Ribas capotar, sem consequências de maior para o piloto. D. Palmira Coelho, a única senhora em prova, terminou num honroso 10º lugar com a notável média de 70, 051 km/h.
Foto - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia - Primeiro Arranque, de Vasco Calixto

O Invicta de Vasco Sameiro, vencedor na categoria "Sport"

O "Edfor-Allard"

O Edfor matrícula RP-10-30 foi destruído num acidente durante o rallye do ACP de 1947, num momento em que era tripulado por Augusto Madureira. Foi mais tarde reconstruído e dotado de uma carroçaria com um "look" Allard, mantendo a mesma chapa de matrícula.
Em 1951 este carro foi inscrito por Harry Rugeroni para a Rampa da Pena, na foto, prova que terminaria em 5º lugar. Porém, no Campeonato de Rampas Rugeroni não conseguiu melhor que o 10º lugar, ex-aequo.
Harry Rugeroni vivia em Lisboa e era um dos proprietários do Hotel Aviz, um dos mais requintados da época.
A fotografia foi cedida por Luis Sousa
Colaboração de Ângelo Pinto da Fonseca.


Sobre as Pedras de Vila Real

Sobre o "empedrado" de Vila Real as surpresas aconteciam quando menos se esperava. Foi o que aconteceu com o DIMA nº 6 de Corte Real Pereira, que pouco depois desta imagem ter sido obtida entrou em "pião" e foi ultrapassado pelo Cisitalia Abarth de Emilio Romano, que se vê ao fundo e acabaria por triunfar na classe até 1100 cc. O Allard de D. Fernando Mascarenhas, aqui em segundo plano, sofreu uma avaria que o fez a abandonar a corrida, a qual teria como vencedor absoluto o Ferrari 212 de Giovanni Bracco.
Bibliografia - Circuito de Vila Real 1931-1973, de Carlos Guerra





EDFOR

Concebido por sugestão de Manuel Menéres, concessionário Ford no Porto, EDFOR é o nome de um carro de sport produzido em 1937 nas oficinas de Eduardo Ferreirinha & Irmão (EFI) a partir de componentes Ford, nomeadamente um motor V8 de 3620 cc e um chassis da mesma marca. Dotado de uma carroçaria em alumínio que pesava pouco mais de 150 quilos, o Edfor matrícula RP-10-30 mostrou-se competitivo logo na estreia, no circuito de Vila Real, onde comandou a corrida de Sport durante 8 voltas até ser forçado a parar com problemas de aquecimento do motor. Um segundo carro foi construído em 1939, havendo especulações sobre a possível construção de um terceiro exemplar, facto não documentado. Este segundo carro (NT-10-68) perdura até aos dias de hoje.
A imagem documenta Augusto Madureira ao volante do primeiro Edfor (RP-10-30) à partida para o Rali Internacional de Lisboa de 1947, prova que abandonaria devido a acidente. O carro ficou parcialmente destruído.
Imagem - Centro de Documentação do ACP
Bibliografia - Circuito de Vila Real 1931-1973 , de Carlos Guerra
                     - http://autoentusiastas.blogspot.com


Uma Certa Ideia de Segurança

Na década de 50 a segurança de pilotos e espectadores estava ainda longe de ser uma prioridade, como aqui se constata através desta imagem que mostra o Ferrari 750 Monza de D. Fernando Mascarenhas a entrar na recta da Boavista durante o Grande Prémio de Portugal de 1955. O carro circula no "empedrado", que por sua vez é atravessado pelos carris metálicos do eléctrico. O lambril do passeio delimita a estrada e até uma cabine telefónica se oferece como "alvo". O público "anda por ali", em cima dos muros e dos passeios e há também uns postes e umas árvores a bordejar a pista.
Em tais circunstâncias não admira que os acidentes fossem frequentes e tivessem graves consequências. Apesar das condições mais que discutíveis que oferecia, o Circuito da Boavista não ficou conhecido como um causador de grandes tragédias.


"Nicha" Cabral em Nurburgring

A data desta história (1963) sai um pouco do âmbito do trabalho que aqui se faz e que se pretende limitado a 1960. Mas a qualidade da imagem, provavelmente inédita, mais que justifica a sua publicação neste espaço. Nela de vê "Nicha" Cabral ao volante do Cooper Climax T60 que tripulou no Grande Prémio da Alemanha de Fórmula 1, disputado no circuito antigo de Nurburgring, um traçado com 22 quilómetros de extensão e cerca de 180 curvas. Um pesadelo para qualquer piloto excepto para o português, que o considerava o seu circuito favorito.
"Nicha" conseguiu levar o Cooper  ao 20º lugar (entre 22) da grelha e tinha já ganho onze lugares durante a corrida quando a caixa de velocidades cedeu e o obrigou a abandonar. Este mesmo carro  tinha sido tripulado por Bruce Mc Laren na época anterior, que com ele ganhou o GP de Mónaco.
Fotografia - Gergely Gabris
Bibliografia - "Nicha", de Adelino Dinis



IV Grande Premio Penya Rhin 1933

A 25 de Junho de 1933 disputou-se num circuito traçado perto do parque de Montjuic, Barcelona, o IV Grande Premio de Penya Rhin. Vasco Sameiro (nº 18), em Alfa Romeo 8C-2300, era o único português presente e acabaria por conquistar um brilhante segundo lugar na classificação final, logo após Juan Zanelli, que tripulava um carro idêntico.
Mas a grande figura da tarde seria, como se esperava, o grande Tazio Nuvolari. No momento em que comandava tranquilamente a corrida o seu Alfa Romeo 8C-2300 começou a falhar, obrigando o piloto italiano a parar na zona de meta para afinar o carburador. Ao fim de onze minutos e cinco voltas perdidas Nuvolari voltou à pista, tendo dado um verdadeiro espectáculo de pilotagem em que bateu várias vezes o record da volta mais rápida. terminou em quinto lugar, após ter recuperado três das cinco voltas que perdeu por causa da avaria.
Fotografia de Luis Sousa

 Eis a grelha de partida para o Grande Premio de  Penya Rhin de 1933
Pole Position
2
Tort

Nacional P.
4
Lehoux

Bugatti
6
Wimille

Alfa Romeo
8
Nuvolari

Alfa Romeo
10
Palacio

Bugatti
12
Texidor

Bugatti
16
Zanelli

Alfa Romeo
18
Sameiro

Bugatti
20
"Vega"

Bugatti
24
de Morawitz

Bugatti
38
Stahel

Bugatti
30
Angli

Bugatti
32
Dourel

Amilcar

Allard P1

O Allard P1 de Jorge Monte Real e Diogo Passanha à partida para uma das últimas complementares do IV Rallye Internacional de Lisboa (Estoril), prova que não correu particularmente bem a esta equipa na sua parte final.
Apesar das suas linhas algo "pesadas", o Allard P1 revelou-se um carro de desporto consideravelmente competitivo, tendo mesmo vencido o Rallye de Monte Carlo de 1952 com o próprio  Sydney Allard ao volante.
Produzido em Inglaterra em pequenas quantidades, este carro utilizava um motor Ford V8 com 3,600 cc de cilindrada acoplado a uma transmissão também "made in USA". Este facto tinha a ver com a escassez de componentes mecânicos disponíveis em Inglaterra na fase que sucedeu ao final da Segunda Guerra.


Circuito da Covilhã

A 22 de Junho de 1931 disputou-se o Circuito da Covilhã, prova patrocinada pelo ACP e que compreendia 12 voltas a um percurso de 9,400 metros. Participaram sete concorrentes, a saber: José Lopes da Silva (Citroen), António Lopes da Costa (Ford), José Luis de Brito (Ford), Gaspar Sameiro (Ford), Vasco Sameiro (Ford), Joaquim Fazenda (Turcat) e José Alves da Silva (Ford). 
Os consagrados Gaspar e Vasco Sameiro dominaram a prova e viriam a conquistar os dois primeiros lugares, seguidos de Lopes da Costa e José Luis de Brito, todos em Ford.
A partida para a corrida foi dada às 18 horas, mas a prova só terminou duas horas depois devido a uma forte  chuvada que caiu sobre o traçado tornando o percurso quase intransitável. O público debandou, à procura de abrigo, mas os concorrentes aguentaram estoicamente até ao fim.
Na imagem, a equipa Ford, que conquistou os quatro primeiros lugares.

Bibliografia - Primeiro Arranque, de Vasco Callixto
Imagem -  Centro de Documentação do ACP


Quilómetro do Cabo 1937


Francisco Ribeiro Ferreira e o seu Bugatti, vencedores do "Quilómetro Lançado do Cabo", prova disputada a 4 de Abril de 1937. A média então obtida, mais de 203 km/h, tornou-se na mais alta até então conseguida em Portugal numa competição automobilística.
O "Quilómetro Lançado do Cabo" era realizado num percurso dividido em quatro sectores, a saber: 2000 metros para lançamento, 1000 metros para correr e 1000 metros para desacelerar. Participaram na prova catorze carros, dez na categoria "sport" e quatro na categoria "corrida", observando-se grandes diferenças no desempenho dos concorrentes. A título de exemplo, aos 203,735 km/h do Bugatti de Ribeiro Ferreira contrapunham-se os modesto 78,908 km/h do DKW de Emídio Correia Guedes (quem será "este"?), o último classificado.
Bibliografia - "Primeiro Arranque", de Vasco Callixto



Mille Miglia 1956

O Mercedes Benz 300 SL (chassis 0405500299) de D. Fernando Mascarenhas / Manuel Palma  num controle das Mille Miglia 1956, que terminariam num excelente 31º lugar com o tempo total de 13 horas e 49 minutos.



Estoril 1935

A 20 de Outubro de 1935 disputou-se o II Circuito do Estoril, prova que consistia num total de 20 voltas a um percurso de 3.085 metros desenhado em torno do Casino,  correspondente a uma distância de 185,1 km.
Francisco Ribeiro Ferreira, em Bugatti T51 (nº5) seria o vencedor, seguido do Bugatti 35C (nº8) de Jorge Monte Real e do Alfa Romeo 8C-2300 (nº3) de Manuel José Soares Mendes. Em quarto lugar chegou o Bugatti T35B (nº6) de Henrique Lehrfeld e em quinto o Adler (nº1) 3.0  de Manuel Nunes dos Santos. José Alves da Silva, em Adler 1.7 (nº15) seria o último a completar a corrida.
 Não se classificaram António Guedes de Herédia, em Railton (nº16), que fez a volta mais rápida, José Almeida Araújo no Bugatti T35 (nº11) e João Henriques dos Santos, em Ford (nº2).


O Simca de Monte Real

Motivado pelo seu 2º lugar absoluto na edição de 1951, o Conde de Monte Real regressou ao Rallye de  Monte Carlo em 1952, desta vez ao volante de um Simca Aronde e tendo como companheiro de aventura Manuel Palma, como já tinha acontecido no ano anterior. A equipa não terminou a prova, tendo deixado a João Lacerda / Jaime Azarujinha, em Citroen 15/6, a honra de serem os portugueses melhor classificados.
Equipado originalmente com um motor de 4 cilindros e 1221 cc de cilindrada que debitava uns modestos 45 hp, o Simca Aronde estava longe de ser um carro de corrida, mas tinha na resistência a sua principal "arma desportiva". Porém, por vezes também falhava.
O curioso "regador" em primeiro plano diz bem dos problemas que afectaram os portugueses do carro nº 48.


Um Talento Excepcional

Em finais de 1954 António Borges Barreto disputa a primeira prova da sua meteórica mas extraordinária carreira, a VI Volta a Portugal, organização do "Clube dos 100 à Hora". Inexperiente mas nascido com um talento invulgar para os automóveis, Borges Barreto apresentou-se à partida para a Volta ao volante do Porsche 356 pre-A com a matrícula BG-19-18 que no ano anterior tinha participado no Rallye de Monte Carlo pelas mãos de Calçada Bastos / João Capucho. Logo na primeira complementar, disputada nas Caldas da Raínha, Barreto disse ao que vinha, classificando-se em segundo lugar logo depois do consagrado Ernesto Martorell, em Denzel. Mas viria a vencer a prova de Vila Real e o Circuito do Estoril, sagrando-se vencedor absoluto da VI Volta a Portugal logo na primeira tentativa.
Dois anos depois brilha no Circuito da Boavista e o representante da Ferrari para Portugal envia-lhe um curioso telegrama de felicitações. Mas a felicidade seria de curta duração.
Bibliografia - Diário do Sul/ Motor
Colaboração de José Borges



I Salão Automóvel de Lisboa

Em 1925 realizou-se no Coliseu dos Recreios o I Salão Automóvel de Lisboa, evento que atraiu milhares de visitantes e revelou um impressionante dinamismo num comércio automóvel que dava ainda os primeiros passos em Portugal.
As fotografias são dos Estúdios Mário Novais, Biblioteca de Arte Calouste Gulbenkian







II Volta à Madeira

Extraordinária e invulgar imagem da chegada do Mercedes Benz 300 SL de Horácio Macedo ao porto do Funchal para participar (e vencer) a II Volta à Madeira em automóvel, disputada em 1960. O EB-23-98 era vermelho e foi utilizado pelo piloto do Porto durante as épocas de 1959 e 61.
Fernando Basílio dos Santos seria o segundo classificado desta prova, tripulando um carro idêntico, mas acabaria por vencer a Volta à Madeira em 1964, desta vez ao volante de um Porsche 356.
A fotografia é de Luis Sousa
Colaboração de Ângelo Pinto da Fonseca.





Os Verdadeiros Heróis

Circunstâncias existem em que os verdadeiros Heróis são os cidadãos portugueses, simples e singularmente anónimos, como uma vez mais se revela neste gesto invulgar em que por subscrição pública realizada em 1929 o povo oferece um automóvel Chevrolet ao seu Presidente da República, Marechal Óscar Carmona. O Estado, já então falido e sem recursos, não tinha capacidade financeira para dar ao seu agente máximo uma viatura com a dignidade que o cargo exigia.

Fotografia - Estúdios Mário Novais
Biblioteca de Arte - Fundação Calouste Gulbenkian

Um Herói que Partiu

António Augusto Marins Pereira nasceu em 1927 e dedicou uma boa parte da sua vida e das suas energias à metalomecânica ALBA que herdou de seu avô. Pelo caminho teve ainda tempo e talento para se envolver com sucesso em corridas de automóveis, tendo construído os seus próprios carros de competição e, mais do que isso, o seu próprio motor. Tratava-se de um bloco com quatro cilindros em linha, totalmente produzido "na casa", dotado de dois carburadores duplos horizontais e duas velas por cilindro, o qual era capaz de debitar cerca de 90 cavalos de potência.
O seu maior sucesso automobilístico aconteceu na Taça Cidade do Porto, prova integrada no Grande Prémio de Portugal de 1953, disputado no circuito da Boavista. O pequeno Alba, tripulado por Corte Real Pereira, venceu a corrida com uma volta de vantagem sobre todos os concorrentes e entrou assim para a história do automobilismo nacional.
Augusto Martins Pereira faleceu recentemente, aos 86 anos de idade.





Falha de Transmissão

Grande Prémio de Portugal 1955. O Ferrari 750 Monza de D. Fernando Mascarenhas completou 43 das 55 voltas previstas para o circuito da Boavista mas logo depois a transmissão cedeu e o aristocrata português teve de abandonar. Este mesmo carro seria posteriormente vendido a António Borges Barreto, que com ele viria a confirmar todo o seu exuberante talento, o qual ficou patente nesta corrida através do 7º lugar conquistado com um já pouco competitivo Ferrari 250MM.





Gentleman Driver

José Luis Abreu Valente, engenheiro de profissão e "gentleman" por vocação, foi dos pilotos mais bem sucedidos da sua geração, tendo-se notabilizado nomeadamente ao volante do seu Mercedes 300 SL. Ei-lo na imagem de fato, gravata e botões de punho, quando disputava o Rali do Porto de 1957


Monsanto 55, a cores

Este é um tipo de trabalho que se realizava com alguma frequência na época. Uma vez que a fotografia a cores era ainda pouco frequente, as imagens eram "colorizadas" à posteriori na tentativa de proporcionarem uma ideia mais aproximada da realidade. Porém, nem sempre as cores acrescentadas tinham correspondência com as originais.
Este invulgar documento reproduz a partida para a "Taça Governador Civil de Lisboa" disputada em 1955 no circuito de Monsanto. Stirling Moss, no Porsche 550 nº 3 (capacete vermelho), seria o vencedor, seguido de Filipe Nogueira (nº1) e D. Fernando Mascarenhas (nº 2, azul???), em carros idênticos. O nº 4 é o alemão Wolfgang Seidel.


DB Panhard 750S

Dentro de poucos meses completam-se 60 anos sobre a brilhante participação de José Emídio da Silva no IV Circuito Internacional do Porto com o seu invulgar DB Panhard 750S. No circuito da Boavista o carro nº 19 teve um dos melhores desempenhos da sua história, terminando em 4º lugar absoluto a prova intitulada Taça Cidade do Porto, destinada a automóveis equipados com motores até 1100 cc, e vencendo a respectiva categoria (até 750cc). Catorze automóveis alinharam à partida para esta corrida.
Este carro, construído pela empresa francesa Deutsche Bonnet, estava equipado com um motor Panhard de 750 cc, um "flat-twin" dotado de válvulas à cabeça e que debitava entre 40 e 50 cv consoante o nível de preparação. Em 1953, um destes DB Panhard, tripulado por Touzot / Persillon, terminou as Mille Miglia em 84º lugar da geral, entre 240 concorrentes, e venceu a categoria até 750 cc.
Depois de décadas de abandono, o IE-17-74 que brilhou na Boavista renasce agora das cinzas e revela-se ao vivo e a cores em todo o seu esplendor graças ao seu novo proprietário, Carlos Barbosa da Cruz, que assim presta um serviço inestimável ao património cultural e desportivo do nosso país.
Naturalmente, pelas razões atrás mencionadas, a participação deste carro no Circuito da Boavista  de Junho deste ano acaba de transformar-se em imperativo nacional.